Cresci como MEI. E agora? Sinais de que é hora de virar ME

Seu MEI está perto do limite de R$ 81 mil? Veja os sinais de que é hora de virar ME, o que acontece se passar do teto e como migrar sem pagar multa.

Introdução

No último artigo, mostramos as diferenças entre MEI e ME e como escolher o enquadramento certo na hora de abrir a empresa. Mas o negócio não fica parado: as vendas aumentam, surgem novos clientes, aparece a vontade de contratar ou de ter um sócio.

É nesse momento que muitos empreendedores descobrem, às vezes do jeito mais caro, que o MEI ficou pequeno. Neste artigo, você vai entender quais são os sinais de que chegou a hora de migrar para ME, o que acontece se passar do limite e o que muda na prática.

5 sinais de que o MEI ficou pequeno para o seu negócio

1. O faturamento está chegando perto de R$ 81 mil por ano. Esse é o limite do MEI em 2026, o que dá uma média de R$ 6.750 por mês. A conta considera tudo o que entra (receita bruta), sem descontar custos. Atenção: quem abriu o MEI no meio do ano tem limite proporcional, de R$ 6.750 multiplicado pelos meses de atividade.

2. Você precisa de mais de um funcionário. O MEI pode ter apenas um empregado, recebendo um salário mínimo ou o piso da categoria. Se a demanda pede mais gente, é hora de mudar.

3. Você quer ter um sócio. O MEI é uma empresa de uma pessoa só. Também não é permitido ao MEI ser sócio ou titular de outra empresa.

4. Você quer exercer uma atividade que o MEI não permite. Só as ocupações da lista oficial podem ser MEI. Profissões regulamentadas, como as de contador, advogado ou engenheiro, ficam de fora. Ampliar o negócio para uma atividade fora da lista exige outro enquadramento.

5. Seus clientes são empresas maiores, que exigem mais estrutura. Algumas empresas e órgãos públicos preferem ou exigem fornecedores com porte maior, certidões e documentação mais robusta. Crescer como ME pode abrir portas que o MEI não abre.

Passei do limite. E agora?

O que acontece depende de quanto você passou dos R$ 81 mil. A diferença entre as duas situações pode custar caro.

Faturamento no anoO que acontece
Até R$ 97.200 (excesso de até 20%)Você continua MEI até dezembro e paga um DAS complementar sobre o valor que excedeu. A partir de janeiro do ano seguinte, passa a ser ME no Simples Nacional.
Acima de R$ 97.200 (excesso maior que 20%)O desenquadramento é retroativo a janeiro do ano em que houve o excesso (ou à data de abertura, se a empresa abriu naquele ano). Todo o faturamento do período passa a ser tributado como ME, com juros e multa sobre o que ficou em atraso.

Na segunda situação, o empresário acaba pagando de uma vez os impostos de vários meses, sem ter se planejado para isso. Além disso, a Receita Federal cruza dados de notas fiscais, maquininhas de cartão e Pix e pode fazer o desenquadramento de ofício.

Nossa recomendação: acompanhe o faturamento todo mês. Ao passar de uns 70% do limite antes do fim do ano, converse com seu contador para decidir se vale segurar as vendas ou já planejar a migração.

O que muda na prática ao virar ME

A maior mudança é que o imposto deixa de ser um valor fixo e passa a ser um percentual sobre o faturamento. Em troca, a empresa ganha espaço para crescer.

MEIME no Simples Nacional
Limite de faturamentoR$ 81 mil por anoR$ 360 mil por ano
ImpostoValor fixo mensal no DAS (INSS + ICMS e/ou ISS)Percentual sobre o faturamento, a partir de 4% no comércio e 6% em serviços, conforme o anexo e a faixa
FuncionáriosAté 1Sem limite
SóciosNão podePode ter
ObrigaçõesDeclaração anual (DASN-SIMEI)Apuração mensal (PGDAS-D), declaração anual (DEFIS), folha e eSocial
Pró-laboreNão se aplicaO sócio que trabalha na empresa deve ter pró-labore, com INSS
ContabilidadeNão obrigatóriaObrigatória, com contador responsável

Um ponto que assusta muita gente é o custo com contador. Mas, com a contabilidade em dia, o empresário passa a ter números reais do negócio, pode distribuir lucros com isenção de Imposto de Renda dentro das regras e toma decisões com mais segurança.

Passo a passo para migrar de MEI para ME

  1. Levante o faturamento real do ano. Some notas emitidas, vendas no cartão, Pix e dinheiro. É esse número que define se a migração é planejada ou urgente.
  2. Converse com um contador antes de agir. Ele vai simular quanto você pagará de imposto como ME e verificar se o Simples Nacional é mesmo o melhor caminho para a sua atividade.
  3. Comunique o desenquadramento no Portal do Simples Nacional. Se a saída for voluntária ou por excesso de até 20%, os efeitos valem a partir de janeiro seguinte. Se o excesso passou de 20%, a comunicação tem prazo e os efeitos são retroativos.
  4. Atualize o cadastro da empresa. A empresa deixa de ser MEI e passa a ser Empresário Individual ou Sociedade Limitada Unipessoal, com alterações na Junta Comercial, na prefeitura e, se for o caso, na Secretaria da Fazenda.
  5. Ajuste a rotina. Providencie certificado digital, revise a emissão de notas fiscais, defina o pró-labore e organize os documentos para o contador todo mês.

Feita com antecedência, a migração é tranquila. O problema quase sempre aparece quando ela é descoberta depois, pela Receita.

Conclusão

Deixar de ser MEI não é um problema: é sinal de que o seu negócio cresceu. O que faz diferença é migrar no momento certo, com planejamento, e não depois de uma cobrança retroativa.

A Competek Serviços Contábeis acompanha empreendedores de Santa Rosa e região desde 2005. Se o seu MEI está chegando perto do limite, fale com a nossa equipe: fazemos a simulação e cuidamos de toda a migração para você.

No próximo artigo: virou ME? Então vem a próxima pergunta. Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real: qual regime tributário faz o seu negócio pagar menos imposto de forma legal?


Informações atualizadas em setembro de 2026. As regras podem mudar; consulte sempre um contador antes de tomar decisões.

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